Como não canso de
dizer, de uns anos para cá está muito difícil dar aulas de
sociologia. Escrever a palavra gênero no quadro tem causado revolta
e resistência em alguns alunos. Eu não entendia muito por que. Fui
percebendo que existem muitos discursos contra essa discussão
partindo de várias instituições sociais como família e igrejas.
Sempre tenho que esclarecer que o conteúdo de gênero da sociologia
(que está amparado pelas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio),
aborda o papel do homem e da mulher na sociedade.
Existe uma grande
diferença entre "teoria de gênero" e "ideologia de
gênero". As mulheres devem ser respeitadas e terem os mesmos
direitos que os homens. Não é uma discussão sobre questões
sexuais e biológicas. Por que uma mulher, mesmo tendo cursos e
certificados na área de logística, por exemplo, ainda hoje sofre
preconceito para ser aceita e valorizada no mercado de trabalho. A
teoria de gênero também aborda questões como violência contra a
mulher, que acredito ser importante inclusive aos homens.
Tenho lido coisas
absurdas nas redes sociais, fato muito comum ultimamente. Porque a
internet tem velocidade e alcance amplo, o que permite também
disseminar o senso comum muito rapidamente. Mas ontem, foi outro fato
que me fez perceber porque as discussões de gênero são tão
perigosas. O Gilmar participou de uma reunião com os pais de
crianças da catequese (era para eu estar junto, mas este ano estou
trabalhando praticamente todos os sábados, por estar em duas escolas
cujos calendários não batem). Nesta reunião tinha apenas 8 mães
presentes. Sim, a reunião era para os pais, para aproximar as
famílias da vida dos filhos. Mas por que só havia mulheres?
Inclusive o Gilmar me contou que um pai ficou no carro, não quis
descer e acompanhar a esposa na reunião. Outra mãe, além de levar
um filho para a catequese, teve que levar o outro também na reunião.
Por isso incomoda
tanto. Muitos homens não querem sair dessa zona de conforto. Está
muito bom assim. Por que vão querer assumir tarefas que antes não
eram deles? O que não entendo ainda é porque algumas mulheres
também não aceitam essas discussões. Não estou generalizando. Não
estou falando que todos e todas são assim. Participo de um movimento
de casais da igreja católica. Neste encontro, os homens são
atuantes e participam das atividades em família. Imagino que eles
compreenderiam perfeitamente o conteúdo de gênero debatido em sala
de aula.
Esse meu texto é
mais um desabafo, mas também um alerta para os pais e responsáveis.
Procurem informações e esclarecimentos antes de aceitar prontamente
os discursos divulgados em mídias e redes sociais. Alerto para que
não haja uma deturpação do que realmente é discutido em sala de
aula. Reflitam, para realmente tomarem um posicionamento consciente.
Raquel Stolf Rodrigues 01/07/2018
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