terça-feira, 24 de julho de 2018

Sobre o incômodo causado pelas discussões de gênero em sala de aula

            Como não canso de dizer, de uns anos para cá está muito difícil dar aulas de sociologia. Escrever a palavra gênero no quadro tem causado revolta e resistência em alguns alunos. Eu não entendia muito por que. Fui percebendo que existem muitos discursos contra essa discussão partindo de várias instituições sociais como família e igrejas. Sempre tenho que esclarecer que o conteúdo de gênero da sociologia (que está amparado pelas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio), aborda o papel do homem e da mulher na sociedade.
             Existe uma grande diferença entre "teoria de gênero" e "ideologia de gênero". As mulheres devem ser respeitadas e terem os mesmos direitos que os homens. Não é uma discussão sobre questões sexuais e biológicas. Por que uma mulher, mesmo tendo cursos e certificados na área de logística, por exemplo, ainda hoje sofre preconceito para ser aceita e valorizada no mercado de trabalho. A teoria de gênero também aborda questões como violência contra a mulher, que acredito ser importante inclusive aos homens.
             Tenho lido coisas absurdas nas redes sociais, fato muito comum ultimamente. Porque a internet tem velocidade e alcance amplo, o que permite também disseminar o senso comum muito rapidamente. Mas ontem, foi outro fato que me fez perceber porque as discussões de gênero são tão perigosas. O Gilmar participou de uma reunião com os pais de crianças da catequese (era para eu estar junto, mas este ano estou trabalhando praticamente todos os sábados, por estar em duas escolas cujos calendários não batem). Nesta reunião tinha apenas 8 mães presentes. Sim, a reunião era para os pais, para aproximar as famílias da vida dos filhos. Mas por que só havia mulheres? Inclusive o Gilmar me contou que um pai ficou no carro, não quis descer e acompanhar a esposa na reunião. Outra mãe, além de levar um filho para a catequese, teve que levar o outro também na reunião.
              Por isso incomoda tanto. Muitos homens não querem sair dessa zona de conforto. Está muito bom assim. Por que vão querer assumir tarefas que antes não eram deles? O que não entendo ainda é porque algumas mulheres também não aceitam essas discussões. Não estou generalizando. Não estou falando que todos e todas são assim. Participo de um movimento de casais da igreja católica. Neste encontro, os homens são atuantes e participam das atividades em família. Imagino que eles compreenderiam perfeitamente o conteúdo de gênero debatido em sala de aula.
              Esse meu texto é mais um desabafo, mas também um alerta para os pais e responsáveis. Procurem informações e esclarecimentos antes de aceitar prontamente os discursos divulgados em mídias e redes sociais. Alerto para que não haja uma deturpação do que realmente é discutido em sala de aula. Reflitam, para realmente tomarem um posicionamento consciente.

Raquel Stolf Rodrigues 01/07/2018

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