terça-feira, 24 de julho de 2018

Sobre a agressividade gratuita

    Viajar é maravilhoso, a meu ver, não há coisa melhor na vida! Conhecer lugares e pessoas diferentes, ampliar a mente e o horizonte em relação a outras formas de viver e interpretar o mundo, sair da minha realidade cotidiana e de mim mesma.
    Mas notei algo diferente desta vez. Tenho falado constantemente sobre intolerância, falta de empatia e discurso do ódio. Minhas reclamações sobre sala de aula são constantes. Não é de hoje que acredito que a... humanidade está passando por um declínio espiritual e moral. Mas nesta semana fora de casa presenciei vários episódios estranhos de comportamento.
   Estávamos na panificadora do supermercado e quando chegou a minha vez de ser atendida, uma mulher entrou na minha frente e foi extremamente agressiva com o atendente do balcão. Reclamou do cheiro de cloro no chão. Ele explicou que a moça da limpeza estava passando um pano no chão. Mas ela continuava com as grosserias, afirmando que deveriam usar um produto que “não fosse tão agressivo” (que ironia a expressão usada por ela, já que não percebia o quanto estava sendo “agressiva” com o funcionário que nada tinha a ver com a situação da limpeza do chão). O pior é que outra mulher entrou na discussão, dando razão para a cliente raivosa...
    Em um restaurante, em outra cidade, algo muito parecido aconteceu. A briga agora foi por causa da carne que tinha acabado no buffet. Um homem fez um escândalo ao garçom encarregado pelas bebidas. O atendente explicou que eles iriam repor. Mais uma vez, outra mulher entrou no rolo, colocando mais lenha na fogueira. Eu saí da fila do buffet, morrendo de vergonha alheia, decidindo voltar quando a carne chegasse...
    À noite, em uma hamburgueria de outra região, fizemos nosso pedido e a atendente, com um cuidado extremo, perguntou se estávamos com muita pressa, explicou que estava sozinha e que iria demorar um pouco para preparar os dois pratos. Ela foi tão receosa e gentil ao explicar, que este fato me causou espanto. Falei que não teria problema, que esperaríamos. Mas fiquei pensando sobre quantas vezes ela deve ter sofrido grosserias para estar tão calejada. Ao irmos embora ela perguntou se somos do Sul e conversamos bastante.
    Há algo muito esquisito acontecendo com o comportamento humano, não sei se é só aqui no Brasil. Acredito que não, pensando nas loucuras que acontecem no governo Trump, nos EUA e no fechamento de países europeus em relação aos refugiados. Mas aqui no Brasil, percebo que se juntou intolerância à ignorância. Nos fatos citados acima, vi que as pessoas estão muito revoltadas, mas estão descontando essa indignação em alvos que não são os respectivos responsáveis, o que no mínimo é incoerente.

Raquel Stolf Rodrigues 20/07/2018

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