Viajar é maravilhoso,
a meu ver, não há coisa melhor na vida! Conhecer lugares e pessoas
diferentes, ampliar a mente e o horizonte em relação a outras
formas de viver e interpretar o mundo, sair da minha realidade
cotidiana e de mim mesma.
Mas notei algo diferente desta vez.
Tenho falado constantemente sobre intolerância, falta de empatia e
discurso do ódio. Minhas reclamações sobre sala de aula são
constantes. Não é de hoje que acredito que a... humanidade está
passando por um declínio espiritual e moral. Mas nesta semana fora
de casa presenciei vários episódios estranhos de comportamento.
Estávamos na panificadora do supermercado e quando chegou a
minha vez de ser atendida, uma mulher entrou na minha frente e foi
extremamente agressiva com o atendente do balcão. Reclamou do cheiro
de cloro no chão. Ele explicou que a moça da limpeza estava
passando um pano no chão. Mas ela continuava com as grosserias,
afirmando que deveriam usar um produto que “não fosse tão
agressivo” (que ironia a expressão usada por ela, já que não
percebia o quanto estava sendo “agressiva” com o funcionário que
nada tinha a ver com a situação da limpeza do chão). O pior é que
outra mulher entrou na discussão, dando razão para a cliente
raivosa...
Em um restaurante, em outra cidade, algo muito parecido
aconteceu. A briga agora foi por causa da carne que tinha acabado no
buffet. Um homem fez um escândalo ao garçom encarregado pelas
bebidas. O atendente explicou que eles iriam repor. Mais uma vez,
outra mulher entrou no rolo, colocando mais lenha na fogueira. Eu saí
da fila do buffet, morrendo de vergonha alheia, decidindo voltar
quando a carne chegasse...
À noite, em uma hamburgueria de outra
região, fizemos nosso pedido e a atendente, com um cuidado extremo,
perguntou se estávamos com muita pressa, explicou que estava sozinha
e que iria demorar um pouco para preparar os dois pratos. Ela foi tão
receosa e gentil ao explicar, que este fato me causou espanto. Falei
que não teria problema, que esperaríamos. Mas fiquei pensando sobre
quantas vezes ela deve ter sofrido grosserias para estar tão
calejada. Ao irmos embora ela perguntou se somos do Sul e conversamos
bastante.
Há algo muito esquisito acontecendo com o
comportamento humano, não sei se é só aqui no Brasil. Acredito que
não, pensando nas loucuras que acontecem no governo Trump, nos EUA e
no fechamento de países europeus em relação aos refugiados. Mas
aqui no Brasil, percebo que se juntou intolerância à ignorância.
Nos fatos citados acima, vi que as pessoas estão muito revoltadas,
mas estão descontando essa indignação em alvos que não são os
respectivos responsáveis, o que no mínimo é incoerente.

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