sábado, 19 de dezembro de 2020

Encerramento de 2020

 Hoje é o encerramento deste difícil ano letivo. Certamente ficará para sempre em nossas memórias. Um marco divisório de muitas mudanças. Para mim, ficarão as lembranças dos dias que passei ao lado da minha filha (mesmo que eu não pudesse dar a qualidade de atenção que ela merecia), as inúmeras reuniões no Google Meet (consegui participar de duas ao mesmo tempo), webinares, aulas na TV e YouTube (inclusive uma das maiores alegrias foi acompanhar o trabalho da minha querida Aline de Azevedo. Fiquei emocionada várias vezes), correção de atividades impressas, Classroom, RCO (quantas madrugadas, feriados e finais de semana, mesmo eu prometendo para mim mesma que não faria mais isso). Mas tive muito aprendizado pessoal e profissional. Gratidão por gestos de carinho de alguns alunos e colegas de trabalho 🌻

19/12/2020



sábado, 7 de novembro de 2020

Despedida de um companheiro de quatro patas

 


Esses dias li um texto que meu amigo Jeff Appel compartilhou e que me tocou profundamente. Era sobre a despedida de um companheiro de quatro patas e fiquei extremamente emocionada. Por quase 15 anos tive o Petrus. Ganhei ele dos meus tiospadrinhos Renato Vieira Ostrowski e Neusa Maria Ostrowski.
O Petrus tinha sua caminha, mas na maior parte do tempo estava embaixo da minha cama. De dia, sempre nos meus pés (ou no colo). Quando eu ligava para meu pai ir me buscar, ele ouvia o telefone, começava a latir e correr pela casa, pois iria junto. Era uma festa quando balançávamos a chave do carro para passear... Que saudade!
No final da vida, ele usou fraldas e não andava mais. Morreu de infarto, em um domingo que estava toda a família na casa dos meus pais. Parece que esperou o momento em que estivessem todos reunidos, bem na hora do almoço. Deu uns gritinhos... Minha irmã Aline Stolf, que é veterinária, chegou a fazer massagem cardíaca. Perdê-lo foi uma das maiores dores da minha vida. Por noites acordei chorando de saudade. Mas, tudo isso, porque não há amor mais puro, leal e verdadeiro nessa Terra.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Aniversário em meio ao isolamento social

Aniversário em meio ao isolamento social

Sempre carreguei comigo uma tristeza, um vazio, uma melancolia. Desde que me conheço por gente, como se diz... Depositava em outras pessoas, ou motivos externos, as causas de minha felicidade. Mas nunca era o suficiente, o apego me aprisionava ao sofrimento. Algumas vezes pude afirmar que me senti realmente plena: no início de minha carreira como professora, as conquistas na vida a dois, minha gravidez e os primeiros anos de vida de minha filha. Mas, mesmo esses momentos, às vezes desmoronavam.
Ser professora hoje não é fácil e muitas situações aconteceram desde o massacre no Centro Cívico em 29 de abril de 2015. Mas isso já foi motivo de outros textos meus. Um casamento de quase 14 anos também tem seus altos e baixos, além de uma grande crise que tivemos uns anos atrás e culminou em separação, da qual ainda estamos passando por um processo de reconstrução. Minha gravidez e, os primeiros anos de vida da minha filha, certamente marcaram uma época que eu gostaria de poder congelar no tempo e reviver cada vez que precisasse beber algumas gotas de esperança e força. Mas acabei aprendendo a duras penas que a impermanência é uma realidade incontestável. Apesar de minha filha ser o maior amor de minha vida, hoje ela já é um pouco mais independente e minhas obrigações diárias também não permitem eu me restringir a este fragmento de realidade.
Há um ano e meio perdi minha mãe, ano passado meu pai teve uma crise de ansiedade e ficamos uns meses na casa dele. Enfim, passei por muitas transformações nesses últimos 5 anos. Já entrei para os “enta” em 2019, então a idade não é um choque tão grande esse ano. Mas é o primeiro aniversário em meio a uma pandemia e estou levando à risca o isolamento social. Sinto falta dos amigos, dos almoços em família nos domingos, das reuniões e formações no Encontro Matrimonial, da escola, de passear, viajar, tomar um café ou um chopp, ir ao cinema. Algumas dessas coisas nem imagino quando poderei fazer novamente. As previsões ainda não são muito boas, nem sabemos o que vai ser o “novo normal”. Mas espero que a humanidade, de um modo geral, tire alguma aprendizagem do que estamos passando. Que profissões e prioridades sejam revistas e valorizadas, que saiamos mais fortalecidos e evoluídos. 


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Como tenho vivido a impermanência


      Estou tentando lidar com a impermanência  e encará-la de maneira positiva. Às vezes queremos congelar momentos, sentimentos, sensações. Guardar em uma caixinha, para poder viver sempre da mesma maneira. Mas tudo passa, os sentimentos bons e os ruins. A impermanência é um fato e não dá para negar, fugir, criar ilusões.
      Minha filha de 7 anos é tão evoluída nesse aspecto. Parece que já nasceu assim. É tão desapegada, sofre menos com as mudanças. É incrível como ela ama as pessoas (plantas e animais), a forma que se entrega às situações, guarda o que vive com carinho, sente saudades. Mesmo assim, irradia alegria, compreende o que eu estou levando décadas para aprender. 
      Eu sempre sofri muito com as perdas, a transitoriedade e a falta de estabilidade. Mas não conseguia compreender que nada é tão sólido. E que isso não é necessariamente ruim. Da mesma forma que os nossos objetos de desejo (e o que nos traz prazer) mudam, ou diminuem a intensidade, o sofrimento também passa.
     Como afirmou Chagdud Tulku Rinpoche, "saber disso não só ajuda a diminuir o apego, como também nos proporciona maior apreciação das coisas que temos, enquanto a temos. Impelidos pelo desejo, deixamos de apreciar e valorizar aquilo que já temos. Precisamos nos dar conta de que o tempo que temos com aqueles que nos são caros - nossos amigos, parentes, colegas de trabalho - é muito curto. Mesmo que vivêssemos 150 anos, isso seria muito pouco tempo para desfrutar e fazer uso da nossa oportunidade humana".

sábado, 4 de janeiro de 2020

Morte da escrita?





Morte da escrita?

                                                                           por Raquel Stolf Rodrigues



2020, para muitos, o esperado ano da mudança. A humanidade adoecida de depressão, ansiedade e solidão, sofre dos sintomas que Georg Simmel já nos alertava quando se referia às dificuldades e paradoxos da metrópole acelerada. Talvez seja o momento de reduzirmos o ritmo das nossas atividades cotidianas, substituirmos o tempo gasto com superficialidades por atitudes que enriqueçam a alma.

Quem sabe uma possível saída seja resgatarmos a escrita e a literatura, que permitem um autoconhecimento, refletir sobre os sentimentos, usar a criatividade, mesclar nossa realidade com ficção, entre tantos outros benefícios. Renato Ostrowski, em seu terceiro livro intitulado Revolta das Canetas, talentosamente expõe de maneira engraçada e desmedida, através de crônicas, as observações e impressões dos conflitos existenciais, que só os olhos e sensibilidade de um bom escritor podem experimentar.

A crônica que cede o nome ao livro fala sobre a morte da escrita, que ironicamente culminou em uma noite de autógrafos onde todas as canetas desapareceram. Fatos corriqueiros ou leves, como o duelo com uma barata, um equivocado entregador insistente, o desejo frustrado de um cruzeiro no Caribe, um xingamento no trânsito, o travamento de uma porta giratória no banco, ganham uma roupagem encantadora propiciando ao leitor boas gargalhadas.

Temas mais sérios como o tempo, adolescência, morte, conflitos familiares e medo também aparecem através da conhecida “opaca transparência” instrumento utilizado por Renato Ostrowski tanto na poesia como na prosa.

Que tal como meta para 2020 inserir mais leitura aos nossos dias? Indico, com carinho, começar o propósito com esta agradável obra lançada em 14 de dezembro de 2019, pela editora Kafka.