sábado, 4 de janeiro de 2020

Morte da escrita?





Morte da escrita?

                                                                           por Raquel Stolf Rodrigues



2020, para muitos, o esperado ano da mudança. A humanidade adoecida de depressão, ansiedade e solidão, sofre dos sintomas que Georg Simmel já nos alertava quando se referia às dificuldades e paradoxos da metrópole acelerada. Talvez seja o momento de reduzirmos o ritmo das nossas atividades cotidianas, substituirmos o tempo gasto com superficialidades por atitudes que enriqueçam a alma.

Quem sabe uma possível saída seja resgatarmos a escrita e a literatura, que permitem um autoconhecimento, refletir sobre os sentimentos, usar a criatividade, mesclar nossa realidade com ficção, entre tantos outros benefícios. Renato Ostrowski, em seu terceiro livro intitulado Revolta das Canetas, talentosamente expõe de maneira engraçada e desmedida, através de crônicas, as observações e impressões dos conflitos existenciais, que só os olhos e sensibilidade de um bom escritor podem experimentar.

A crônica que cede o nome ao livro fala sobre a morte da escrita, que ironicamente culminou em uma noite de autógrafos onde todas as canetas desapareceram. Fatos corriqueiros ou leves, como o duelo com uma barata, um equivocado entregador insistente, o desejo frustrado de um cruzeiro no Caribe, um xingamento no trânsito, o travamento de uma porta giratória no banco, ganham uma roupagem encantadora propiciando ao leitor boas gargalhadas.

Temas mais sérios como o tempo, adolescência, morte, conflitos familiares e medo também aparecem através da conhecida “opaca transparência” instrumento utilizado por Renato Ostrowski tanto na poesia como na prosa.

Que tal como meta para 2020 inserir mais leitura aos nossos dias? Indico, com carinho, começar o propósito com esta agradável obra lançada em 14 de dezembro de 2019, pela editora Kafka.