quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
sábado, 4 de janeiro de 2020
Morte da escrita?
Morte da escrita?
por Raquel Stolf Rodrigues
2020, para muitos, o esperado ano da mudança. A humanidade adoecida
de depressão, ansiedade e solidão, sofre dos sintomas que Georg
Simmel já nos alertava quando se referia às dificuldades e
paradoxos da metrópole acelerada. Talvez seja o momento de
reduzirmos o ritmo das nossas atividades cotidianas, substituirmos o
tempo gasto com superficialidades por atitudes que enriqueçam a
alma.
Quem sabe uma possível saída seja resgatarmos a escrita e a
literatura, que permitem um autoconhecimento, refletir sobre os
sentimentos, usar a criatividade, mesclar nossa realidade com ficção,
entre tantos outros benefícios. Renato Ostrowski, em seu
terceiro livro intitulado Revolta das Canetas, talentosamente
expõe de maneira engraçada e desmedida, através de crônicas, as
observações e impressões dos conflitos existenciais, que só os
olhos e sensibilidade de um bom escritor podem experimentar.
A crônica que cede o nome ao livro fala sobre a morte da escrita,
que ironicamente culminou em uma noite de autógrafos onde todas as
canetas desapareceram. Fatos corriqueiros ou leves, como o duelo com
uma barata, um equivocado entregador insistente, o desejo frustrado
de um cruzeiro no Caribe, um xingamento no trânsito, o travamento de
uma porta giratória no banco, ganham uma roupagem encantadora
propiciando ao leitor boas gargalhadas.
Temas mais sérios como o tempo, adolescência, morte, conflitos
familiares e medo também aparecem através da conhecida “opaca
transparência” instrumento utilizado por Renato Ostrowski tanto na
poesia como na prosa.
Que tal como meta para 2020 inserir mais leitura aos nossos dias?
Indico, com carinho, começar o propósito com esta agradável obra
lançada em 14 de dezembro de 2019, pela editora Kafka.
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