quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Como tenho vivido a impermanência


      Estou tentando lidar com a impermanência  e encará-la de maneira positiva. Às vezes queremos congelar momentos, sentimentos, sensações. Guardar em uma caixinha, para poder viver sempre da mesma maneira. Mas tudo passa, os sentimentos bons e os ruins. A impermanência é um fato e não dá para negar, fugir, criar ilusões.
      Minha filha de 7 anos é tão evoluída nesse aspecto. Parece que já nasceu assim. É tão desapegada, sofre menos com as mudanças. É incrível como ela ama as pessoas (plantas e animais), a forma que se entrega às situações, guarda o que vive com carinho, sente saudades. Mesmo assim, irradia alegria, compreende o que eu estou levando décadas para aprender. 
      Eu sempre sofri muito com as perdas, a transitoriedade e a falta de estabilidade. Mas não conseguia compreender que nada é tão sólido. E que isso não é necessariamente ruim. Da mesma forma que os nossos objetos de desejo (e o que nos traz prazer) mudam, ou diminuem a intensidade, o sofrimento também passa.
     Como afirmou Chagdud Tulku Rinpoche, "saber disso não só ajuda a diminuir o apego, como também nos proporciona maior apreciação das coisas que temos, enquanto a temos. Impelidos pelo desejo, deixamos de apreciar e valorizar aquilo que já temos. Precisamos nos dar conta de que o tempo que temos com aqueles que nos são caros - nossos amigos, parentes, colegas de trabalho - é muito curto. Mesmo que vivêssemos 150 anos, isso seria muito pouco tempo para desfrutar e fazer uso da nossa oportunidade humana".